Há uns dias reuni com um potencial cliente que me dizia, quase em jeito de desculpa, que o seu setor não era interessante, que era até aborrecido.
Tenho a certeza de que já ouviu (ou pensou) o mesmo em algum momento: “em B2B não dá para fazer coisas tão giras como em B2C”, “os nossos produtos ou serviços são demasiado sérios para arriscarmos”, “o nosso setor é formal” ou até “os nossos produtos não são sexy".
Percebo estas ideias, mas tenho uma visão diferente.
O produto ou o serviço podem não ser interessantes em si — ou até complexos e difíceis de explicar — mas o que o cliente faz com eles, as possibilidades que criam, raramente são desinteressantes.
É aí que vale a pena arriscar em escrever de forma mais próxima, mesmo num setor técnico.
Voltando à reunião com o potencial cliente: era uma empresa que vende máquinas para terraplanagem. Se nos focarmos só nas máquinas, nas suas características e como funcionam, é fácil a conversa tornar-se aborrecida, a menos que o cliente esteja já na fase de decisão.
Contudo, as coisas mudam se explorarmos as possibilidades que as máquinas abrem:
um projeto que se torna possível
um prazo que pode ser cumprido
um trabalho que é mais fácil e seguro
Depois de vários anos a escrever para B2B, desde a indústria à construção, tenho a certeza disto: não há produtos ou serviços aborrecidos. Há apenas formas aborrecidas de escrever sobre eles.
O trabalho (ou o desafio, se preferir) é encontrar esse botão em que carregamos para levar o cliente a olhar para o produto ou serviço como uma possibilidade de tornar a sua vida melhor, mais fácil ou mesmo mais leve.
Este texto foi originalmente publicado na Bloco de Notas, a minha newsletter sobre copywriting para B2B. Pode suscrevê-la aqui.